A cirurgia da calvície

O que é?
Calvície é a rarefação capilar causada por queda acentuada dos cabelos sem reposição dos mesmos.
Pode ter inicio a partir dos 18 anos e evolução contínua e irregular, isto é, com períodos de perdas mais acentuadas intercaladas com períodos de estabilização. Após os 50 anos esta evolução tende a ser mais lenta e homogênea. Uma vasta cabeleira preta e densa tem cerca de 150.000 fios.Já os indivíduos com cabelos finos e claros possuem uma quantidade menor de fios (cerca de 100.000 a 130.000). Perder de 70 a 100 fios de cabelos por dia é normal. Após a queda do fio, a mesma raiz produz um novo fio, iniciando um novo ciclo. Os cabelos crescem cerca de um centímetro por mês.
Com a idade, o volume de cabelos diminui naturalmente. Por serem compostos basicamente por proteínas, os cabelos se beneficiam de uma alimentação rica em proteínas. Elas são normalmente encontradas em carnes, ovos, leite e seus derivados, soja, grãos e castanhas. Vitaminas e minerais também exercem grande influência na saúde dos cabelos, mas não alteram o padrão genético de calvície pré-estabelecido.

Sabe-se que cerca de 70% dos homens e 15% das mulheres irão apresentar algum grau de calvície durante a vida.

Porque ocorre?
A chamada alopécia androgenética, tem, como o próprio nome diz, origem genética. É, portanto, causada por fatores hereditários advindos do lado materno, paterno ou de ambos. Esta “tendência genética” pode pular uma geração inteira ou afetar um irmão e outro não. Por isso é normal encontrarmos famílias em que um irmão é calvo e outro não tenha esta tendência. Isso ocorre quando um lado (paterno ou materno) contém o código genético para a calvície e o outro não, sendo assim, um irmão pode herdar somente o lado paterno e outro somente o lado materno, porém quando os dois lados possuem forte tendência à calvície, dificilmente os filhos não serão calvos.
Sabe-se que cerca de 70% dos homens e 15% das mulheres irão apresentar algum grau de calvície durante a vida.

Como ocorre?
Todos os fios de cabelos caem, pois possuem um ciclo de vida.
Existem apenas dois tipos de cabelo:
a) os que não contém o código genético para a calvície;
b) os que contém o código genético para a calvície.

Os que não possuem o código genético para a calvície, são aqueles que caem grossos e que são encontrados na escova, no ralo, no travesseiro. À medida que eles caem, outros exatamente iguais estão sendo repostos no mesmo lugar. Diferentemente, os fios que “possuem o código genético para a calvície”, quando caem não são repostos. Porém sua queda é diferente, pois eles não caem grossos como fios de cabelos normais.

Calvície Feminina

O que é?
Se você é uma mulher que:

a) começou a notar queda acentuada de seus cabelos, com ou sem rarefação capilar;
b) está surpresa, aborrecida e preocupada com sua queda de cabelo;
c) não entende porque você o está perdendo
.

Saiba que você não está sozinha, pois pelo menos uma em cada cinco mulheres apresentam o mesmo problema que o seu. A boa notícia é que a grande maioria dos casos podem ser tratados por um especialista na área. Em alguns deles, somente o tratamento clínico pode funcionar, entretanto em outros é necessário o transplante capilar juntamente com a terapia clínica.

Como ocorre?
A calvície feminina ocorre de forma mais sutil e as mulheres conseguem disfarçá-la com o penteado. Pode atingir somente a região frontal ou todo o couro cabeludo de forma geral. Apenas uma minoria procura tratamento cirúrgico (transplante capilar) por achar que esse é exclusividade dos homens. Geralmente resulta em sérias conseqüências psicológicas, não só pela inesteticidade, mas também por não ser aceita socialmente em mulheres. Diferentemente do que ocorre nos homens, onde a quase totalidade dos casos de calvície são de origem genética, nas mulheres os casos de calvície são mais complexos. A mulher menstrua, engravida, toma anticoncepcional e faz também freqüentes regimes. Tudo isso influencia muito o cabelo. Mesmo o stress piora qualquer coisa, inclusive a queda de cabelo. Logo, uma vida com lazer e esporte bem dosados é sem dúvida benéfica, não só para os cabelos, mas para o ser como um todo. A dieta também é um fator fundamental: vitaminas do complexo B, óligo-elementos com Zinco e Cobre e também o Ferro são muito importantes. O cabelo é basicamente queratina, que é uma proteína. Portanto dietas pobres em proteínas ou de baixo valor biológico afetam e muito a vitalidade dos cabelos, o que geralmente ocorre em regimes sem supervisão médica. Na alopécia androgênica (calvície de origem genética) feminina, o quadro é mais difuso e menos evidente que nos homens. O seu diagnóstico é feito de forma tardia ou equivocada, porque muitas vezes existem outros distúrbios associados. Na mulher alterações hormonais têm um impacto muito grande no cabelo. Além dos hormônios sexuais que se alteram durante a gravidez ou uso de anticoncepcionais, outros hormônios como os da tireóide ou supra-renais podem influenciar a queda de cabelo. Estes outros hormônios podem levar a quadros de calvície difusa, chamados genericamente de alopécia difusa feminina. Estas duas entidades têm tratamento absolutamente distinto e devem ser muito bem diferenciadas tanto pela história, exame clínico e microscopia, como por exames laboratoriais.

Graus de calvície feminina:
Existe uma classificação da calvície feminina, que possuí três graus:
a) Grau I para casos de rarefação leve, mais visível “na risca” central do cabelo.
b) Grau II, onde já vemos uma certa transparência do cabelo que permite visualizar o couro cabeludo. c) Grau III são casos avançados onde uma calvície de fato já está instalada.
Nos casos iniciais (grau I), responde bem ao tratamento clínico. Nos casos intermediários (grau II), o tratamento é clínico e também se faz transplante de cabelo. Nos casos avançados (grau III), o tratamento somente se faz pelo transplante de cabelo.

Causas:
As mais comuns são:
a) Androgenética, isto é, de origem genética. Corresponde à cerca de 70% das calvícies femininas. Geralmente existem outras mulheres na árvore genealógica (mãe, tias, avós, etc..)que apresentam ou apresentaram rarefação capilar. Nesse caso, o único tratamento é a cirurgia de microtransplante capilar. b) Sistêmicas ( com ou sem níveis hormonais alterados).
Outras causas:
a) Efluvio telógeno;
b) Tricotilomania;
c) Alopecia areata;
d) Alopecia cicatricial; etc…

TRATAMENTO:

1) Clínico:
Existem hoje inúmeras terapias clínicas, com medicamentos tópicos, estimulação do couro cabeludo e mais recentemente laserterapia. É importante deixar claro que se a causa for genética, nenhum tratamento clínico trará seus fios de volta, mas retardará muito a evolução de sua calvície. Em alguns casos, ocorre um engrossamento dos fios, dando uma impressão de que cresceu cabelo. Deve-se levar em consideração também, que a terapia combinada entre vários agentes, pode ser bastante benéfico.
– Os mais eficientes são:
a) Minoxidil;
b) Finasterida;
c) lasercomb;
d) Outros: Mesoterapia capilar; Carboxiterapia; Xampu anti-queda ; Loções; etc…

OBS : – Protocolo de Tratamento neste consultório:

HOMENS: Finasteride por via oral (comprimido), Finasteride injetável (mesoterapia capilar), Minoxidil (loção tópica), o Buflomedil (vaso dilatador), o AAS (infantil), complexos vitamínicos, e a carboxiterapia. A avaliação é feita caso a caso.

MULHERES: Flutamida por via oral (comprimido), Minoxidil injetável (mesoterapia capilar), Minoxidil (loção tópica), Buflomedil (vasodilatador), AAS (infantil), complexos vitamínicos e também a carboxiterapia. A avaliação também é feita caso a caso.

2) Cirúrgico:
A solução definitiva para os casos de rarefação capilar importante é a cirurgia de microtransplante capilar. Muitas mulheres não a procuram por pura falta de informação ou por acharem que está indicada somente para homens. Quando bem indicada os resultados são excelentes e devolvem a auto-estima e o prazer de viver em sociedade.

– As indicações são:
a) Calvícies mais avançadas (graus II e III): mas sempre concomitante com o tratamento clínico para “frear” a evolução da queda, ou seja, o transplante se encarregará de aumentar o volume capilar e o tratamento clínico de estabilizar a queda.
b) Correção de seqüelas cicatriciais: queimaduras, cirurgias estéticas faciais, radioterapias, etc…
*OBS: Somente indico o Transplante quando a área doadora não estiver afetada, ou seja, tiver boa densidade na parte de trás (perto da nuca) e quando o processo de queda estiver estabilizado.

Objetivo:
Esta cirurgia tem por finalidade o aproveitamento dos cabelos “sadios” da parte posterior da cabeça, que nunca iriam cair definitivamente e transportá-los para a parte calva anterior. O objetivo principal é refazer uma nova linha anterior e recobrir a área calva.

Considerações Técnicas: Retira-se uma porção de couro cabeludo da região da nuca, local onde geneticamente os cabelos não caem. Fraciona-se a porção retirada em micro-transplantes que tenham de 1 a 2 bulbos capilares intactos. Os bulbos são previamente selecionados por microscópio. Transfere-se, então, estes micro-transplantes para as áreas calvas, corrigindo as entradas com naturalidade ou promovendo maior concentração de cabelos nos locais desejados. Por ser transplantado tecido do próprio paciente, não há possibilidade de rejeição. Gasta-se uma média de 2 horas para cada 1000 fios implantados.

Tipo de Anestesia:
É feita com anestesia local e sedação, pois é uma cirurgia muito simples. Logo após terminado o efeito do sedativo, o paciente já pode ir para casa.

Orientações:
Com a intenção de esclarecer algumas dúvidas, gostaria de passar algumas orientações que julgo importantes, sobre a intervenção cirúrgica.
a) Pré-operatório :
• Análise detalhada sobre o número de fios a ser implantado, o número de etapas cirúrgicas necessárias e a posição onde serão colocados os fios.
• Sempre que houver algum impedimento para a realização da cirurgia já marcada, avise-me imediatamente.
Recomenda-se:
• Evite tomar aspirina ou remédios contendo AAS (ácido acetil salicílico) e vitamina E, pelo menos nas duas semanas que antecedem à cirurgia, pois poderá interferir no processo de coagulação. Isto inclui Ginko-Biloba.
• Evitar todo e qualquer medicamento para emagrecer, que eventualmente esteja fazendo uso, por um período de 15 dias do ato cirúrgico. Isto inclui também certos diuréticos.
• Evite tomar ou usar substâncias tóxicas ou drogas nas duas semanas antecedentes à cirurgia.
• Não fume nos 30 dias que antecedem a cirurgia e nas quatro semanas de pós-operatório, pois poderá haver retardo da cicatrização e complicações.
• Providencie acompanhante para contato e para a alta da clínica (nome e telefone).
• Me comunique caso tenha ou teve episódio de erupção de qualquer tipo de herpes.
• Não se exceda em exercícios físicos, alimentos e não tome bebidas alcoólicas.
• Me comunique qualquer sinal de resfriado, conjuntivite, herpes ou infecções que surgirem na semana anterior à cirurgia. Nestes casos, o procedimento cirúrgico deverá ser transferido até a resolução do processo infeccioso.

Na Noite Véspera da Cirurgia:
• Lave a cabeça com xampu para cabelos oleosos.
• Alimentação leve até meia-noite.
• Evitar bebidas alcoólicas ou refeições muito fartas, na véspera da cirurgia.
• Observar jejum total de 8 horas antes da cirurgia, inclusive água, cafezinho, balas e refrigerantes.
No Dia da Cirurgia:
• Lave bem os cabelos com xampu para cabelos oleosos.
• Chegue à Clínica ou Hospital no horário marcado.
• Tome somente a medicação prescrita.
• Venha com roupas confortáveis e folgadas, que não precisem ser colocadas pela cabeça, pois serão usadas por ocasião da alta.
• Traga uma pequena bolsa com objetos de uso pessoal.
• Não traga jóias ou objetos de valor.
• Ao chegar à Clínica ou Hospital, comunique na recepção o nome e o telefone do familiar ou acompanhante que virá buscá-la (o).

b) Pós-operatório:
• Fazer compressas de água gelada sobre a testa 3 vezes ao dia durante 5 dias.
• Não lavar a cabeça antes do 3° dia. Voltar ao consultório em dia e hora marcada.
• Haverá um edema na testa no 3° ou 4° dias, que é normal e que regredirá rapidamente.
• Mantenha repouso relativo nos 10 primeiros dias.
• Retornar no 15° dia após a operação para a retirada das crostas que permanecerem na cabeça.
• Siga rigorosamente a prescrição médica.
• Não utilize outros analgésicos além dos recomendados.
• Após a 3ª semana, o Sr (a) estará livre para qualquer atividade.
* Recomendações gerais, que podem ser adaptadas caso a caso.